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Índios e ribeirinhos protestam contra Belo Monte
4/12/2009 |
Debate sobre o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) da construção da usina de Belo Monte (PA), no rio Xingu, realizado no dia 02 de dezembro de 2009 na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), foi marcado por manifestações dos povos indígenas e das populações ribeirinhas contrários à construção da hidrelétrica e por críticas à Fundação Nacional do Índio (Funai).
O acirramento das posições em torno da usina ficou evidente quando o índio Luiz Xipaia leu um manifesto em que diversos povos indígenas informam que não se sentarão mais à mesa com representantes do governo para falar sobre Belo Monte e advertem que "o rio Xingu pode virar um rio de sangue".
No manifesto, eles referem-se a perdas territoriais que sofreram e ao desrespeito aos seus direitos ao longo dos anos. Salientam que, apesar de há duas décadas os índios terem dito que o projeto era inviável, o governo não apresentou propostas alternativas para as populações indígenas da região.
Em outro momento da audiência, a índia Tuíra Kayapó, que há 20 anos teve sua imagem divulgada em todo o mundo, ao aproximar-se de dirigente da Eletronorte com um facão, para protestar contra a obra Complexo Hidrelétrico do Cararaô, criticou, diante do presidente substituto da Funai, Aloysio Guapindaia, o projeto de Belo Monte. Tuíra disse que tinha o Xingu "na mão e no coração" e que não podia permitir a construção da usina.
Em nome do Movimento Xingu Vivo para Sempre, Antônia Melo condenou a destinação de recursos do BNDES para o que qualificou de "projetos de destruição do meio ambiente" e defendeu que o projeto de Belo Monte seja "abandonado definitivamente".
Estiveram presentes ao debate, além de integrantes dos povos Kayapó, Juruna e Xavante, representantes dos ribeirinhos, dos trabalhadores rurais, dos estudantes, dos educadores, das mulheres e da juventude da região. Eles gritaram palavras de ordem e entoaram cantos com letra como "Embarca na luta, embarca, molha o pé, mas não molha a meia, não venham lá de Brasília fazer barragem na terra alheia".
Fonte: Jornal do Senado
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