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Transamazônica está fechada por agricultores e extrativistas por prazo indeterminado
4/12/2009 |
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A rodovia Transamazônica está fechada no Km 165, próximo a cidade de Uruará em protesto a falta de regularização fundiária de propriedades de mais de 1500 famílias de agricultores familiares e extrativistas na área da TI Cachoeira Seca onde foi iniciado, e interrompido, processo de demarcação física.
Movimento organizado pelo Sindicato dos Trabalhadores e trabalhadoras Rurais de Uruará, de Santarém e Placas, junto com a Federação dos Trabalhadores da Agricultura (FETAGRI), interditou ontem a Rodovia Transamazônica 20 km da sede do Município de Uruará, na ponte do Rio Uruará. Só passam doentes. Foram instalados diversos acampamentos e uma grande cozinha no meio da estrada e matas ao redor da rodovia para abrigar os manifestantes. “Só vamos desocupar a estrada se a portaria de julho de 2008 que determina os novos limites da Terra Indigena Cachoeira Seca do Iriri for revogada ou se os presidentes do INCRA e FUNAI vierem negociar com os agricultores e extrativistas” disse João Batista dos Santos (Joãozinho), presidente do STTR de Uruará. Foi marcada uma audiência pública em Uruará no último dia 27 e não compa receram os representantes da FUNAI nem do IBAMA. A FUNAI mandou dizer que não havia segurança para a participação deles na audiência”, diz Joãozinho.
São 28 municípios do Oeste do Pará mobilizados em torno da pauta da regularização fundiária. A região da Cachoeira Seca é uma das prioridades desse grupo de municípios.
A falta de diálogo do governo com as diferentes populações ocupantes de terras na Amazônia é motivo de mais um grande conflito de terras na região de Uruará. A briga não é dos agricultores e extrativistas com os indígenas e sim com o governo que não consegue desenvolver ações consultando, informando e esclarecendo as diversas populações. Diferentemente de outros processos complicados de demarcação de Terras Indigenas ocorridos no país em que alguns poucos proprietários são detentores degrandes porções de terras, na região de Uruará, os agricultores foram incentivados pelo INCRA a ocupar a região e alguns estão estabelescidos há mais de 20 anos na região, como o Sr. José Afonso Cordeiro que continua o trabalho que seu falecido pai fazia na região. O pai dele chegou em 1986 na região e foi um dos primeiros colonos do travessão do 170. “O governo tinha que ver nossa situação com mais cuidado. Tamo trabalhando, sem violência, vivemos bem, tranquilos. Querem tirar nosso sossego, nossa paz pra colocar a gente onde?”diz Cordeiro.
Segundo liderança das comunidades Extrativistas da Maribel, Dna Melânia, os indigenas não tem conflitos com a maioria dos agricultores e extrativistas e concordam com a redução da área conforme proposição dos movimentos sociais locais.
Apesar da revolta de muitos manifestantes, o clima é de buscar o diálogo com o governo para resolver essa questão que já se arrasta por mais de 20 anos. Querem sentar para negociar. Estão se sentindo atropelados pelo processo, pelo menos os que estávam ali. Sabe-se que nã o são só pequenos agricultores e extrativistas os ocupantes da região, há também grandes proprietários e ocupantes que entraram na região já sabendo da Terra Indigena. Assim, é latente a necessidade de separar o jóio do trigo e buscar uma solução mais sólida para essa questão... estão todos bem cansados disso.
(Por: Marcelo Salazar/ISA)
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